Segunda-feira, 24 de Março de 2008

Li no sábado um artigo inspirador no Expresso. Chamava-se "Sopa de Letras" e falava do excesso de legislação que reina na Europa. Mas o aspecto mais interessante era o cômputo feito às leis portuguesas que concluía que as nossas leis são, numa esmagadora maioria, as mais compridas. Naturalmente a culpa não é só nossa. Parece que a escola francesa legislativa teve mais êxito nos nossos políticos que a batata e o tomate, que nos veio das Américas, na nossa culinária. Eu sabia que nós, os Portugueses, somos pessoas que gostamos de explicar as coisas, mas não sabia que éramos os maiores chatos da Europa. Para vos dar um exemplo, Renato Sampaio, o homem que redigiu a famosa lei dos piercings e das tatuagens, escreveu vinte e cinco páginas sem contar com os anexos. Independentemente da inutilidade do projecto, podemos imaginar a dimensão estúpida da sua formulação. Não li a lei mas acredito que a parte em que proibia os piercings nos genitais deve ser hilariante. Por outro lado, reparem que o aspecto verborreico da jurisprudência portuguesa é inversamente proporcional a taxa de alfabetização. Portugal é o país da Europa ocidental com maior quantidade de analfabetos. Esta informação é conhecida por nós e é conhecida por eles, os eloquentes burocratas. Isto significa que além de as leis serem chatas e compridas, não faz mal, porque também não vão ser lidas por uma grande parte da população. Coisa que no fundo faz sentido. Nunca sabemos às quantas andamos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:36
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Comentários:
De arara a 27 de Março de 2008 às 02:38
Também têm outras vantagens - que é levar a desistir antes de chegar ao fim ou, em paralelo, adormecer o legislado a meio.
Parabéns pelos comentos


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