Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010

Li que Cuba aprovou nesta última semana decretos que permitem aos investidores estrangeiros arrendar terrenos do Estado por períodos até 99 anos, levando assim ao abrandamento do controlo estatal sobre o comércio. A legislação surgiu algum tempo depois de o Ministério do Turismo ter anunciado que iria negociar com investidores estrangeiros a construção de 16 campos de golfe, para realçar o encanto da ilha. Cuba já não é o paraíso revolucionário que tanta gente durante tanto tempo tomava como exemplo. Já ninguém pode deixar de pensar que, para que os objectivos socialistas se cumpram, é preciso investimento capitalista. A realidade é dura, mas é mesmo assim. O problema é que esta abertura ao capital lembra momentos familiares. Campos de golfe rimam monetariamente com urbanismos de luxo. Juntamente com eles virão os seus André Jordão e as Quintas do Lago de lá do sítio. Não tardarão a haver um João Lagos cubano e um open de La Habana onde jogadores cubanos do centésimo e tal lugar medem forças com jogares profissionais mais experientes. Uma Moda La Habana também aparecerá para promover jovens estilistas cubanos. Depois organizam uma feira internacional e lá ficará um pavilhão caribenho tão útil como o nosso Pavilhão Atlântico. Sem esquecer outras actividades de lazer como rallies, um autódromo, um mundial sub-21 de basebol, centros comerciais amoreicos ou colombinos, marinas e um ou outro casino, porque não? Também foi liberalizada a venda de bens comestíveis e assim Cuba terá os seus vendedores de bolas de Berlim tropicais, castanhas e sardinhadas. Com vêem nem tudo é mau. Mas não quer dizer que a solução financeira de Cuba se vá parecer com um qualquer desenvolvimento de um qualquer país necessitado e em vias de bancarrota. O pior de tudo é que os cubanos vão estar convencidos de que, ao contrário dos outros países que passaram pelo mesmo, eles vão-se safar. Bem-vindos sejam ao mundo dos países turísticos, mas depois não se queixem e recomecem com as brincadeiras da luta armada, as barbas, a Sierra Maestra e tal. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:44
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