Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010

Julgo que ninguém pode ficar insensível ao desmoronamento da mina de cobre de San José, que deixou soterrados 33 homens que sobrevivem a 700 metros de profundidade há mais de três semanas. O mais perto desta situação que alguma vez pudemos ter vivido foi quando ficámos fechados num elevador. A mim aconteceu-me há muitos anos e só durou quinze minutos. Felizmente, naquela altura podia-se fumar em qualquer sítio. E como vivia tempos festivos, até eu tinha um hip flask no bolso, que é como quem diz um pequeno cantil de bom uísque irlandês. Foram minutos de incerteza, sim, mas só me queixo de aquele elevador estar, como na mina, povoado integralmente por homens. Como hão-de reparar, nem de longe posso comparar a duas angustiantes experiências. Sabemos que o risco de uma depressão colectiva paira a cada hora que passa. Para os entreter dão-lhes pequenas alegrias, como falar com os familiares, ouvir música, e, agora, até lhes enviaram Playstations para brincar. Espero que lhes tenham fornecido os jogos correctos. Imagino que o Tetris, aquele dos blocos que caem ininterruptamente, tenha sido apagado. Qualquer jogo adaptado do filme «Saw» também não é aconselhável. Talvez já lhes tenham enviado uns iPod. Não sei se têm rede, mas se tiverem, os iPhone seriam os mais indicados para poder pôr em dia os seus blogues e fazer novos amigos no facebook. Eu sei que é ridículo e duvido que os divirta. Caso o resgate acabe com êxito, quem encontrarão? Mineiros que deixaram de fumar e alcoólicos que deixaram de beber, magros e sabiamente alimentados, e viciados em jogos de computador, com ânsias de pôr bombas, esquartejar e torturar pessoas, etc. Mas rancorosos e com um ódio aos médicos e à sociedade que nem quero pensar. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:52
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