Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

Este Verão o balconing foi consagrado como o desporto da temporada. Como o nome indica, para a sua prática é imprescindível pelo menos uma balcony, que na nossa língua é uma varanda. Este ano, já morreram 11 e oitenta ficaram feridos, muito deles graves. A rapaziada é normalmente inglesa e alemã, mas já também houve um português com um grave traumatismo craniano. Segundo contam, a prática deste desporto radical acontece por hábito a altas horas da noite, mais precisamente no deprimente fim de festa. Os jovens exibicionistas atiram-se das varandas para a piscina. Outros, mais destemidos, tentam saltar de varanda em varanda até à varanda final, que é aquela onde estão as raparigas. Tudo parece ser um ritual de acasalamento com um nível de risco elevado. As autoridades espanholas responsabilizam o álcool, as drogas e as hormonas, e o YouTube. Do álcool e das drogas, podem de alguma maneira defender-se. Das hormonas, é mais difícil. Boys will be boys sempre foi a primeira emenda dos dez mandamentos. O YouTube é responsabilizado porque é ali que muitos dos suicidas sedutores colocam as imagens das suas proezas. Já agora também podem culpar os jogos de vídeos, em que saltar ou trepar está na ponta dos dedos. Concordo que esta é uma moda estupidamente perigosa. Mas também julgo que este exibicionismo masculino para impressionar as fêmeas e ganhar respeito entre os machos sempre existiu. Pela minha parte, prefiro exibir-me fora de olhares competitivos e ganhar na secretaria. Mas cada um faz o que entender. Um curioso aspecto da preocupação espanhola pelo balconing é que não vi uma linha escrita a questionar a sensatez ou falta dela, dos arquitectos destes aglomerados turísticos. Suponho que estar numa varanda e verificar que a piscina está surpreendentemente perto do edifício, digamos à volta dos três metros, é uma tentação. Que pela ganância do lucro construam varandas obscenamente acessíveis umas das outras é um convite a visitar os vizinhos sem a maçada de andar a fechar e abrir portas e fazer entradas inesperadas. Também podemos atribuir uma quota de responsabilidade às raparigas que premeiam aos saltadores com êxito e depreciam os que ficam traumatizados. No fundo, todos são culpados das mortes e dos ferimentos destes pobres rapazes, que só procuram amor arriscando a vida. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:16
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