Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

A França estava atenta à comunicação do Presidente Sarkozy no dia de ontem. Os seus ministros tinham-lhe apresentado que delitos podiam ser castigados com a cassação da nacionalidade a um imigrante. Parecia uma piada. Os ministros eram os da Administração Interna, da Imigração e o da Justiça. O Ministro da Justiça disse que o homicídio de um representante do Estado, da Justiça ou das forças de segurança, justificava a anulação da cidadania, desde que tivesse sido adquirida há não mais dez anos. O ministro da Imigração concordou, mas não satisfeito com a proposta, acrescentou que a medida também se aplicava no caso de o novo francês ser condenado a uma pena de prisão de dez anos, a cumprir em França ou no estrangeiro, por qualquer crime sobretudo sempre que a vítima fosse um representante do Estado. Esta já é mais difícil de entender. Mesmo sem matar ninguém, o ex-estrangeiro, e agora novo francês, deixa imediatamente de o ser. É retorcido, paranóico e mauzinho. O ministro da Administração Interna, concordando com os seus distintos colegas, também quis acrescentar mais delitos. Suponho que para mostrar a Sarkozy que só ele compreendia a sua dor por uma França invadida por estrangeiros hedonistas. Subiu a parada, e depois de dizer que sim a tudo, rematou com um: aos polígamos também devem ser retirada nacionalidade, e não só. Também aqueles que façam trafulhices nos pagamentos sociais, rua com eles, e passem para cá o nosso passaportezinho, ou petit passeport, no original. Como podem observar, todos querem agradar ao chefe. Portugal é onde a gente quiser. Felizmente, Sarkozy seguiu os conselhos do moderado ministro da Justiça. O tal que só fica com o passaporte se houver homicídio. Claro que Sarkozy também quis mostrar trabalho e endureceu as penas de prisão, vigilância e outros enfeites securitários compreensíveis. Mas o toque de génio foi não esquecer os indigentes. Sem nenhum tipo de discriminação, brancos, pretos, europeus ou não, os mais pobres de todos não só nunca terão a nacionalidade francesa, como nem sequer ficam a ver museus. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:19
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