Quarta-feira, 8 de Setembro de 2010

Não é preciso ser um drogado para saber que os alucinogénios são tentadores, mas nunca podem fazer bem. Não só porque fazem mal à saúde física, mas porque há qualquer coisa muito estúpida em divertir-se com sensações e revelações inúteis. O mesmo acontece com as alucinações naturais. Não é invulgar que certos cargos provoquem aos seus titulares certos tipos de alucinações. Como sentir-se o melhor, invencível, ou o mais bonito. Quando são passageiros e discretos, estes desvarios até podem ser simpáticos e causa de boas iniciativas, e suscitar a admiração, na condição de serem desvarios bem dispostos. O nosso Durão Barroso tem o emprego mais susceptível de ser atacado por alucinogénios naturais. Quando viaja é tratado como um chefe de estado, mas não é. Quando vai aos Estados Unidos é recebido como se fosse o presidente da Europa, mas nem de perto. Ele não manda coisíssima nenhuma. Quando os jornalistas o interrogam com perguntas propícias ao delírio, do estilo: “e o que vai a fazer a Europa no caso de a Turquia invadir a Grécia?”, qualquer resposta torna o entrevistado numa espécie de Carlos Magno ou Napoleão. Acredito que ninguém consiga ser imune ao fausto e à pompa do poder, mas tem de se saber lidar com isto. Uma maneira de não se deixar enganar pelo delírio, é não chamar “Estado da Nação” ao discurso no Parlamento Europeu. Outra é não se indignar com o Irão por apedrejar uma mulher, visto que a sua afirmação não tem mais valor que a do primeiro-ministro da Lituânia, só para dar um exemplo claro de inutilidade. Embora a Lituânia possa não comprar mais tapetes ao Irão, o que já é mais do que pode fazer o Durão. Também não deve sequer deixar que se fale de uma multa aos deputados europeus que não assistam ao seu discurso. Também não pode afirmar que "Chegou para a Europa a hora da verdade, ou sobrevivemos juntos ou afundamo-nos um a um", quando sabe que, no pior dos casos, é o melhor que pode acontecer. Se nos afundarmos todos juntos, isso é que dava bronca das sérias. Ouvi por aí que o Durão acaricia a ideia de ser um dia Presidente de Portugal. Espero que não passe de outra alucinação. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:21
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