Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

É um facto facilmente verificável que se deixarmos expulsar gases, aquilo a que infantilmente chamamos um pum, na Assembleia da República ou no Rossio à hora de ponta, ninguém tem nada a ver com isso. Mas se a mesma acção acontecer em qualquer parte do vasto território norte-americano, pode ser uma notícia. Vou dar-vos um exemplo. Um obscuro e imbecil pastor baptista chamado Terry Jones promete queimar um exemplar do Alcorão, no dia 11 de Setembro, à porta da sua igreja. Julga que com este acto vai deixar o testemunho do repúdio ao Islão por parte do mundo livre e, em particular, dos cristãos. Não vale a pena explicar mais uma vez que ninguém está contra o Islão, mas todos estamos, em primeiro lugar, contra os terroristas. Depois, estamos contra os fundamentalistas que gostam de atirar pedras às mulheres giras com saída e, a seguir, contra aqueles que, tendo a liberdade de ver as nossas belas mulheres, não deixam que vejamos as deles. Sabendo que a moderação não impera entre os povos mal alimentados, queimar o livro que os consola é mesmo uma crueldade de ignorante para ofender os outros ignorantes. Mas voltando à transcendência de um traque, este caso é um bom exemplo do poder da comunicação global. Este idiota do Terry Jones tem uma pequena igreja em Gainesville, Florida. Uma pequena cidade a 500 quilómetros de Miami. O pirómano é pastor de um culto baptista desconhecido, que graças a este acto conseguiu alguma publicidade de borla. Se este homem tivesse uma igreja no meio do Alentejo, não andariam por ali muçulmanos a pedir sangue. Aquela simplificação da teoria do caos que fala das asas da borboleta na China e o furacão no Caribe ou coisa que o valha, não é verdade. Para que a borboleta consiga fazer uma tempestade, é preciso que a borboleta, tal como o traque, esteja nos Estados Unidos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:24
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