Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010

Um estudo, desta vez sério, feito em Inglaterra provou que as raparigas desde os quatro anos sabem que são mais espertas e trabalhadoras que os rapazes. Os rapazes só se apercebem desta realidade aos sete ou oito anos. Mas, suponho, só ficam convencidos disto aos trinta e cinco anos. Contudo, é a partir dos oito anos que meninas e meninos estão de acordo num ponto: elas são melhores. É provável que este conhecimento depois se transmita de pais a filhos e se tente anular a diferença. Uma maneira é encher desmesuradamente o ego masculino dos putos com ideais olímpicos, com aquilo do citius, fortis e altius. E distrair a raparigas com bonecas, para que não estudem filosofia ou física quântica aos dez anos. Mas há um outro aspecto do estudo que, embora perturbador, não me surpreende. Num grupo, rapazes e raparigas são informados de que as raparigas são melhores alunas e noutro grupo não é dada esta preciosa informação. O grupo que sabe da superioridade feminina tem uma ainda pior prestação que os do grupo que ignora o tal facto da vida. Este estudo alimenta a tese aceitável de fazer uma separação por género nas aulas. Ao contrário das etnias. Mas, no meu entender, o que interessa não é podermos confirmar que a cultura machista é uma defesa grosseira ante a superioridade feminina. O que é inquietante é que aqueles rapazes que ignoraram a sua condição de inferiores conseguiram bons resultados. Ou seja, resultados de raparigas. Os rapazes que conheciam a dura realidade foram rapazes no seu fracasso escolar. Era bom que este estudo acompanhasse o resto da vida destes alunos. Que tipo de adultos serão? E em que turmas terão estado os bons maridos ou os futuros engatatões compulsivos? Se calhar, em ambas. Aqueles que souberam que as raparigas eram melhores, ter-se-ão dedicado a competir com elas durante o resto das suas vidas ou terão desistido sempre que se encontravam com uma mulher? É complicado. Felizmente, estudei em colégios de rapazes. Só na Universidade fui confrontado com esta realidade. Foi óptimo. Percebi que tinha desperdiçado os melhores anos da minha vida a estudar sozinho ou só com rapazes. E então para ler as anotações nas aulas não há melhor que uma colega. Ainda por cima, tem uma letra melhor. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:06
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