Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

Parece que em Portugal há práticas de tortura. Muitas crianças de três anos deixam de fazer a sesta depois do almoço por decisão dos jardins-de-infância. As instituições, que afirmam ter tomado esta decisão com o acordo dos pais, justificam o procedimento com a dificuldade que as crianças tinham em adormecer depois de virem das férias com os ritmos trocados. No entanto, segundo pediatras e especialistas, este sistema pode representar uma “tortura” e ser indicador da má qualidade de um infantário. Em democracia, contudo, há sempre outra versão. Temos os pais que dizem que quando os filhos não dormem, passam o resto do tempo a dormir ou ficam embirrentos e de mau humor. Outros dizem que, quando dormem, dormem demais e depois ninguém os aguenta em casa. Também há os pediatras conciliadores, que acham que algumas crianças devem dormir e outras não. Eu gosto deste problema que mereceu ser notícia nos jornais. Por ser tão inútil. Não me surpreendia nada que o Bloco de Esquerda exigisse um referendo para resolver este dilema pedagógico. Temos aqui quatro problemas: o que quer uma criança; o que deve fazer; o que devem exigir os pais; e o que, no fundo, os pais gostariam que as crianças fizessem. Num mundo ideal, os miúdos deviam dormir a sesta, desde que voltassem para casa de bom humor e assim fazerem de filhos amorosos. Mas suficientemente cansados para estarem na cama a dormir, o mais tardar, às oito da noite. A minha sugestão é que a sesta devia ser obrigatória. Uma vez acordadas, as crianças deviam fazer uma meia maratona ou uma sessão de cardio fitness, uma hora antes de os pais as levarem para casa. Estariam bem dispostas, mas com pouca energia para jogos violentos com os seus progenitores. Quem não dormisse a sesta, estaria exausto depois desta última actividade, e assim aprendia que é melhor dormir um bocadinho se não quiser ser humilhado pelos adeptos da “siesta”. Sei que é difícil cansar os infantes. Mas é melhor que os torturar com uma vigília forçada. Por outro lado, já ninguém tem pachorra para os referendos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:09
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