Quarta-feira, 26 de Março de 2008

Está decididamente na moda tentar fazer-nos acreditar que os crimes, a violência, a impunidade acontecem sempre pela primeira vez. Por exemplo, foi preciso morrer uma vítima para que alguém pedisse a tradução da palavra carjacking e verificasse que esse tipo de crime tinha aumentado trinta e quatro por cento. Com esta história da professora, o telemóvel e a aluna aconteceu outra vez a mesma coisa, com a inevitável ânsia de responsabilizar outros que não são os intervenientes no episódio, neste caso a docente e a estudante com insolência hormonal. "Os problemas vêm de fora", afirmou Valter Lemos, Secretário da Educação. Olha a novidade. Os pais, o bairro, os autarcas. Adolescentes difíceis são tão velhos como os professores que não sabem pôr as crianças na ordem. Não falo de tabefes que, infelizmente, agora são proibidos. Mas que davam jeito lá isso davam. Aliás, quem no seu perfeito juízo começa a travar uma luta corpo a corpo com alguém que tem o dobro do seu tamanho? Que eu saiba, só o Bruce Lee. É ainda de notar que o Procurador-geral da República, ao falar deste tema, comentou que estava contra o "sentimento de impunidade" que se vive nas escolas. Claro que todos o acompanhamos no sentimento. Suponho que amanhã vamos ouvir a Ministra da Educação a manifestar-se contra «o sentimento de impunidade» que se vive nas ruas. Já agora eu também quero associar-me a estes bons espíritos e mostrar-me contra o "sentimento de impunidade". Simplesmente. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:45
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