Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Não sei se há mulheres que gostam mesmo de futebol. Que gostem de jogadores ou de um clube em particular, já acredito. Digo isto sem um pingo de misoginia. Pelo contrário. As mulheres interessam-se por coisas mais importantes que discutir se Gaitán pode jogar com a camisola dez ou se Hulk dava um bom ponta de lança. Mas se para mim já me custa ouvir as intermináveis conversas sobre futebol protagonizadas por quem não pensa noutra coisa, nem quero imaginar o inferno que seriam essas tertúlias quando acrescentadas com a apaixonada irredutibilidade feminina. Porém, a participação feminina na história do futebol não é menor. Ninguém com mais de trinta e cinco anos terá esquecido a relevância de Anabela, a ex-mulher de Chalana. O casal Cláudio mata Caniggia e Mariana esfola Nannis foi comparado com um pacto com o diabo. Mas a gravidade do problema é maior quando penetra, com o perdão da palavra, no mundo íntimo do futebol. Não há muito tempo, um inocente twitt da mulher de Kaká complicou a vida interna do Real Madrid. Ela apenas chamou cobarde ao treinador do clube no Twitter. Ontem, a bela e publicitada Sara Carbonero, a beijada namorada de Casillas, guarda-redes do Real Madrid, acusou Ronaldo de ser egoísta e individualista. Comentário perigoso, independentemente de ter toda a razão do mundo, ou pelo menos de eu concordar, adicionando a palavra estúpido nalgum sítio. Obviamente, se estas palavras tivessem sido ditas pela namorada do Ronaldo, Irina Shayk, poderia ter consequências catastróficas na carreira de sedutor enveredada pelo futebolista. Ainda pior se acrescentasse às características enunciadas a de ser muito rápido. Mas voltando a Carbonero, as suas palavras podem ser interpretadas como uma opinião consensual dos colegas do namorado e do namorado incluído. Também lembrou, como se algum adepto do Real pudesse esquecer, que Ronaldo tinha custado 96 milhões de euros, e que por isso “não pode falhar, caso contrário as pessoas não lhe vão perdoar”. É obvio que precisamente por ter custado tanto, Ronaldo prefere que digam que é egoísta a que o tratem por preguiçoso ou ausente. Como disse, as mulheres a falar de futebol também podem ser temíveis. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:09
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