Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

O PSD quer saber se é tradição na EDP patrocinar entidades do ensino superior, quais apoiou nos últimos anos e os montantes envolvidos. Estas perguntas serão dirigidas ao Governo e foram entregues hoje no Parlamento. As questões surgem na sequência da divulgação do donativo de três milhões de euros que a EDP terá concedido à Universidade de Columbia e que inclui o patrocínio ao seminário do ex-ministro da Economia Manuel Pinho. Não me parece esquisito que empresas poderosas como, neste caso, a EDP patrocine cursos ou faça doações substanciais a universidades. Esquisito, esquisito seria que uma universidade contratasse Manuel Pinho livremente e sem contrapartidas para dar um curso. De acordo com os usos e costumes dos governos portugueses, também é normal que façam uma gentileza, como diriam os comerciantes da Baixa, aos seus ex-colaboradores. É tão normal que ninguém se surpreende com as brilhantes carreiras empresariais seguidas por antigos políticos profissionais e ex-governantes. Também não é inédito que um partido da oposição exija explicações de uma manigância normal, que certamente já ele próprio teria realizado quando outrora esteve no governo. Estas gentilezas fazem parte dos agradecidos hábitos políticos sem distinção de raça ou cor partidária. O que me surpreende, e que me surpreende mesmo, é o PSD começar a accionar os seus dispositivos de indignação só depois de todos, até o último distraído duma remota aldeia portuguesa, ter tomado conhecimento pela televisão e pelos jornais que o Manuel “diabinho” Pinho está feliz e contente a viver em Nova Iorque. Mesmo que o encontremos um bocadinho atónito de ter alunos nas suas aulas sobre fontes alternativas de energia ou economia amiga do ambiente ou seja lá o que for. Tenho conhecimento destes inebriantes sentimentos graças à sua presença no círculo dos íntimos de Sócrates. Isto significa que os nossos políticos têm as mesmas fontes de informação que o cidadão comum. Se bem que, por um lado, este facto prestigie a função dos jornalistas, inquieta-me que os políticos saibam tanto como nós – o que não é muito. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:03
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