Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

Finalmente temos um processo legal que não inclui tráfico de influências entre políticos e empresários nem sórdidos subornos a gananciosos. Estou a falar de amor. A decisão veio do Tribunal Central de Instrução Criminal, na sequência do depoimento, em fase de instrução do caso dos submarinos e contrapartidas, do presidente da Inteli, Rui Felizardo. Felizardo, presidente da Inteli, a empresa que fez peritagens na investigação, admitiu que tinha uma relação pessoal com uma procuradora adjunta do Departamento Central de Investigação e Acção Penal. Os advogados da defesa dos arguidos, ao meu juízo prematuramente, sentem-se prejudicados. Não duvido de que ponha em causa a imparcialidade dos peritos, mas ainda não se pode saber para que lado. Se fosse uma relação saudável, não seria motivo de preocupação. Se a bela procuradora adjunta fosse uma femme fatal, seria provável. Mas se o Felizardo é um pinga-amor com um fascínio particular por mulheres vestidas de preto da cabeça aos pés, provavelmente, tanto dava como se lhe deu. Também é possível que a relação tenha sido revelada por despeito. Note-se que a Procuradoria soube deste amor impossível pela SIC e não pela TVI. A SIC não é muito coscuvilheira. Cheira-me a um homem ou uma mulher postos de lado por alguns dos fogosos amantes. As probabilidades são muitas. Sabemos que a imparcialidade nestes tempos é tão badalada quanto escassa. A não ser que os advogados possuam alguma informação que ainda não foi revelada, parece-me que a contestação foi precoce, se me permitem utilizar esta palavra, que, segundo dizem, sessenta por cento das portuguesas pronunciam quatro vezes por mês. Mas adiante. É bom para Portugal que aconteçam casos de amor que ponham em causa a justiça. É mais bonito e mais digno dizer que um juiz ou uma procuradora erraram porque estavas apaixonados que pelas razões a que estamos habituados. Espero que a procuradora adjunta que vai testemunhar diga: “Eu amo o Felizardo, mas amo mais a justiça”. Ou “Sim, enganei-me, mas quem alguma vez amou sabe que este fogo tinha de ser apagado”. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:39
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