Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010

A Lusa andou por aí a falar com embaixadores das Nações Unidas. O tema é a próxima eleição dos membros temporários do Conselho de Segurança. Tudo porque Sócrates, na sua última visita, afirmou o seu empenhamento para Portugal ser um deles. Lembro-vos de que o Conselho de Segurança é composto por 15 membros e que cinco são permanentes: os Estados Unidos, a França, o Reino Unido, a Rússia e a República Popular da China, sendo que cada um deles tem direito de veto. Os outros dez são membros rotativos e os seus votos valem desde que nenhum dos permanentes vete seja o que for que se está a votar. Podia dizer-se que os membros rotativos estão ali para fazer número e assim dar uma certa multi-nacionalidade às decisões. Nunca saberemos por que razão os países querem ser eleitos para fazer de figurantes. Talvez para ver de perto como vivem os poderosos. A Lusa revelou ao cidadão comum o que é preciso para que estes países tenham a duvidosa honra de serem membros. A eleição é feita por todos os países representados nas Nações Unidas. Mas as votações nada têm que ver com blocos geopolíticos, ideológicos ou em conflito. O "factor simpatia" é que é decisivo nas eleições para o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Sendo o voto secreto, os delegados muitas vezes não votam segundo as instruções dos seus governos mas nos embaixadores de quem são amigos pessoais. É normal que a política se faça também de relacionamentos pessoais. Desde os gregos, não os falidos mas os outros, os antigos, sabemos que ninguém é um robô político mas somos todos animais. Políticos, claro. É normal que a simpatia ou o ódio façam parte das escolhas e decisões. Por outro lado, se Cavaco não atura Passos Coelho ou se Sócrates ama Francisco Louçã, queremos que não seja pública e descaradamente. Só soubemos do ódio de Tony Blair por Gordon Brown depois. Não antes nem durante, mas depois. Mas voltando a Manhattan, é fantástico que para ser membro do Conselho de Segurança se tenha de ser um gajo porreiro. Estas resoluções vindas do Conselho devem ter por trás cada história que vou te contar… Eu sabia que não era com Ban-ki-moon que se fazia a festa. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:27
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