Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

Achei maravilhoso um artigo publicado na última edição do L'Osservatore Romano, que diz que a Santa Sé considera que a série de Matt Groening, os Simpons, é das poucas para crianças "em que a fé cristã, a religião e as questões sobre Deus são recorrentes". O jornal oficial do Vaticano conclui que “poucas pessoas sabem disto e ele faz de tudo para esconder, mas é verdade: Homer J. Simpson é católico". Não é a primeira vez que ouço falar com aparente seriedade desta série. Há um par de anos, na Argentina, fizeram um inquérito nacional para saber que personagem de ficção representava melhor as qualidades de um pai e Homer ganhou por maioria absoluta. Segundo os argentinos, apesar de preguiçoso, burro e egoísta, Homer nunca deixa de mostrar devoção pela mulher e pelos filhos, sobretudo quando sente que é o pior dos homens. Os seus ataques de culpabilidade são realmente a essência da paternidade. Que o L’Osservatore Romano chegue à conclusão de que Homer é católico pode também ser interpretado como um produto de uma mente tão retorcida quanto sincera daquele país sul-americano. No entanto, há provas que sustentam esta teoria. A relação de aborrecimento com as idas ao templo protestante, o alcoolismo e a gula, sempre mal vistos por uma sociedade puritana, a sua falta de solidariedade comunitária e, sobretudo, a preguiça. Uma sociedade como a americana perdoa tudo menos a acédia e a falta de ambição. Pelo contrário, como muito bem afirmou o teólogo Joaquim Carreira das Neves, “a Igreja Católica é a única que não proíbe as bebidas alcoólicas ou a comida. Os católicos podem fumar, beber e pecar, que Deus lá está para perdoar”. Claro que concluir que Homer é católico, assim como acreditar que é um pai exemplar, mostra mais um desejo que um facto. É precisamente por isso que simpatizo com os pais argentinos que vêem em Homer Simpson um consolo e com os católicos que vêem nele um seu semelhante. Estas coisas até comovem as pedras da calçada. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:31
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO