Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

O tema do Orçamento de Estado, como todos temos ouvido, tem sido descrito de muitas e variadas formas. Desde as formas mais formais, como ser um orçamento necessário, mau ou defeituoso, às imagens simples, que é ser um cardápio de impostos, uma tragédia para o Estado Social, uma retaliação para quem esteve contra o governo ou uma descida aos infernos. Há pessoas que quiseram ir mais longe literariamente. Bagão Félix disse que era um tsunami. Tentou desenvolver a analogia e afirmou que nós, os portugueses, éramos a costa, o sítio mais vulnerável desta catástrofe natural e ficou por aí. Talvez porque não o deixaram continuar ou porque, com todo o respeito e admiração que tenho por ele, a metáfora não dava para mais. É por esta razão que quero ajudar os homens que, embora sejam os mais inteligentes e respeitáveis do nosso país, não têm o traquejo literário para desenvolver as metáforas. Quero dar o meu humilde contributo para aperfeiçoar as descrições orçamentais. Se queremos dizer que o orçamento não presta, podemos, como tentou Bagão Félix, associá-lo a catástrofes. Por exemplo, o orçamento é o derrame de um petroleiro. O petróleo é a dívida, a fauna do mar são os portugueses, o mar é Portugal e o barco é o conjunto de todos os governos dos últimos trinta anos. Também podemos usar o Katrina, em Nova Orleães. O Mississípi é a dívida, o frágil muro novamente todos os governos, a cidade é Portugal e os desalojados, mortos, enfim, os pretos em geral, somos todos nós, os portugueses. O orçamento. Obviamente, é o Katrina. Uma analogia que também funcionaria seria um acidente de autocarro que vai a toda velocidade e fura os dois pneus da frente. O esquerdo é a dívida interna e o direito a externa, o motorista é a metáfora de todos os governos, os passageiros, todos sabemos e o veículo seria, forçosamente, Portugal. Outra possibilidade, mais eloquente, seria comparar o orçamento com a malta da Al-Qaeda, que tomaram os aviões no 11 de Setembro. Neste caso, os aviões é a dívida, os passageiros somos nós e uma das torres gémeas é Portugal e a outra, o estado social. Há muitas maneiras. É só dizer. O problema é mais complicado se a perspectiva for para defender o orçamento. Mas a única que me vem a cabeça é oncológica e não tem graça. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:10
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