Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

O orçamento foi o grande tema do fim-de-semana. Infelizmente, não há muito para dizer. Ninguém gosta, mas sem querer que me confundam com Medina Carreira, tem de ser. Aliás, tudo o que está a acontecer em Portugal parece ter o mesmo estatuto: é uma desgraça, mas olha, tem de ser. Se não tivesse de ser, nem havia orçamento. Por isso, foi feito tarde e com resmungos. Acontece o mesmo com as presidenciais. Manuel Alegre é o candidato que tem de ser. Já ninguém o aguenta, mas é assim mesmo. A direita não se fica atrás. Cavaco não é amado pela nova direcção do PSD, mas que remédio. O CDS tentou esboçar timidamente uma alternativa, mas era melhor estarem caladinhos. O país esteve por minutos empolgado com a perspectiva de ser José Sebastião Mourinho o seleccionador, mas ficámos com o Bento que, graças a Deus, é um homem. Sócrates, apesar da sua tendência para o denial da realidade, ou a negação, para fazer a versão dobrada, continua e continuará primeiro-ministro porque não há opções. Um “tem de ser” que, à excepção do PCP, todos confirmam sem ousar dizer o seu nome. Teremos uma greve geral lá para Novembro e pelo entusiasmo e pelas declarações dos líderes sindicais, até parece que a fazem porque, no fim de contas, são organizações que defendem os indefesos, e olha, se não fizessem ficavam mal vistos. Até escolheram uma data comedida: logo a seguir aos encontros com a Nato em Lisboa. Os rapazes nem querem chatear muito. Os protestos dos trabalhadores são respeitosos. Até a revisão constitucional que o PSD propôs, por se sentir obrigado a fazer alguma coisa original, é agora continuada pelo PS; não sem deixar de criticar a total inoportunidade do PSD. Mas como a Constituição diz que, apresentado um projecto, todos os outros têm de ser apresentados, olha, o PS também apresenta. Porque tem de ser. Como muita gente, tenho a certeza de que o Fernando Nobre, candidato trapalhão à presidência inventado por Mário Soares, é o único exemplo de termos de fazer o contrário. Não por parte do candidato, que não existe. Mas por Mário Soares, que fez isto só para chatear. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:13
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