Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Quando se fala de uma Europa a duas velocidades, ninguém está a brincar. Temos o exemplo de uma cidade costeira da província de Nápoles, Castellammare di Stabia, em que um novo regulamento da Polícia Municipal prevê multas até 500 euros a quem usar vestidos demasiado decotados ou minissaias excessivamente curtas. Não se trata de proibir o uso de minissaias, mas multar quem mostre a roupa interior. Não será também permitido usar camisas que mostrem o soutien ou calças de cintura descida. Julgo que na Europa todos têm direito a andar na velocidade que quiserem. Castellamare tem os mesmos direitos que Amesterdão. E que ninguém se escandalize com isso. Se não gostar, faça férias noutra cidade. No entanto, tenho as minhas dúvidas sobre este regulamento que, por sinal, ainda não foi aprovado. Por exemplo, não se pode penalizar igualmente a exibição de uma alça do soutien, que é uma parte importante da roupa interior de uma mulher, com a exibição descarada de certos europeus hip-hopianos que mostrem o rego publicamente. Também declarar um decote como sendo demasiado nem sempre é consensual. Depende de muitos factores. Factores não só anatómicos como circunstanciais e temporais. Um decote matinal tem um efeito diferente que um decote nocturno. Na missa das onze qualquer decote provoca dúvidas teístas. Ao jantar, só aninha certezas. Uma minissaia, além da sinceridade locomotiva induz ao perigo de um movimento dorsal imprevisto. Uma minissaia imóvel nunca pode ser penalizada por nenhuma lei neste ou noutro mundo. Os legisladores de Catellamare também têm de definir a palavra cueca. A exposição duma cueca do tipo cinta ortopédica terá o mesmo valor ilegal de uma terna cuequinha tanga mostrada “en passant”? Não será mais criminoso, em termos estéticos, uma mais que outra? Também está provado que há mulheres de saias compridas que no seu cruzar de pernas provocam sensações mais fortes que outras de minissaias a recolher um lápis do chão sem flectir as pernas. Penso que há problemas jurídicos graves nesta regulamentação. Ainda por cima, a iniciativa é desrespeitosa para a história da cidade outrora vizinha da famosa Pompeia. Aquela que foi aniquilada por um vulcão puritano. Espero que os castellamerenses tomem juízo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:16
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