Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Portugal surge na 32.ª posição no quadro dos 178 países analisados pela Transparência Internacional quanto à percepção da corrupção. O Jornal de Notícias, contudo, teve uma perspectiva optimista, ao realçar que, em 2009, Portugal aparecia em 35.º lugar, o pior ranking de sempre para o país desde o ano 2000. O DN foi mais céptico, ao relatar que, de acordo com os especialistas, esta descida no escalão da corrupção não é significativa. O Público desviou a conversa lembrando que o sistema jurídico português não é adequado nem tem os mecanismos necessários para combater estas actividades. Não gostei de nenhuma das opiniões dadas por estes importantes jornais. Muito deste desagrado devo-o ao El Pais, um jornal espanhol que às vezes vai bem e outras nem por isso. Mas, neste caso, gostei que tivesse explicado a manutenção da Espanha no 30.º lugar como uma consequência directa da bolha financeira que afectou todos os países e que, no caso espanhol, não foi pouco. A conclusão e o raciocínio são simples. Quanto menor é a quantidade de dinheiro, menor é também a capacidade monetária do corruptor para corromper. Claro que tudo muda. É provável que no próximo ano baixem os preços praticados pelos corrompidos. Dar uma autorização para uma urbanização, ou uma qualquer outra manigância que precisa de uma boa vontade excepcional dos funcionários ou governantes, vai naturalmente sofrer com a inflação e a falta de dinheiro. Chegará o dia em que se poderá ter os papéis certos obtidos ilegalmente por um pacote de cigarros ou vales de restaurante. Mas ainda falta para chegarmos aí. Ainda passaremos pelos saldos. Logo virá o pacote de serviços ilícitos pelo preço de um suborno. Mais tarde, rifas, raspadinhas e assim por diante. Ainda não chegámos à pobreza original dos nossos bíblicos ancestrais que queimavam borregos para ter boas colheitas. Mas lá chegaremos e teremos, finalmente, uma sociedade famigerada, sem luxos nem excessos, mas honesta e incorruptível. Ámen. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:19
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