Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Na universidade de Glasgow encontraram uma resposta a uma atitude que sempre foi considerada prova de racismo. Falo de quando uma pessoa branca dizia que os pretos, chineses ou japoneses são todos iguais e vice-versa, vice-versa e vice-versa, e isto era considerado um sintoma de superioridade ou indiferença étnica. Procurar a individualidade nestes rostos é exigir ao cérebro mais que o habitual, sendo forçado a trabalhar o dobro para tentar encontrar alguma forma de reconhecer aquele indivíduo. Se fosse um computador, o cérebro estaria a sobreaquecer, e frequentemente, o esforço extra acaba por ser em vão. O fenómeno parece ser perceptível em algumas áreas do cérebro associadas ao reconhecimento facial. Isto conta para os europeus como para os outros. Um chinês que chega a Finlândia acha que os loiros são todos iguaizinhos, da mesma forma que um preto chegado a Saigão achará todos os vietnamitas gémeos idênticos. A explicação evolutiva faz algum sentido. Isto de ver pessoas diferentes é relativamente recente. Durante milhares de anos os homo sapiens só viram gente do próprio grupo, tribo ou, até mesmo, só vizinhos de cavernas. Achei este estudo engraçado mas incompleto. Sei que quando somos jovens encontramos pessoas parecidas com pessoas que nunca conheceremos pessoalmente. Por exemplo, vemos uma loira e pensamos que é igual à Scarlett Johansson, ou uma morena idêntica a Natalie Portman. Quando somos mais velhos, acontece o contrário, até somos capazes de conhecer a Scarlett ou a Natalie e dizer que nos fazem lembrar alguém da nossa juventude. O tempo passa, envelhecemos, e começamos a sentir que somos como os japoneses em Helsínquia: todas as pessoas são iguais ou fazem-nos lembrar outras. Percebemos, então, que as únicas que são diferentes e reconhecíveis são aquelas que amamos e nos estão próximas. Suponho que o nosso córtex se torna, com o tempo, afectivamente discriminatório. Pode ser antipático, sem dúvida. Mas ao menos agora sabemos que não é reprovável. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:06
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO