Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010

Estou preocupado com o número de estrangeiros residentes em Portugal. Diminuiu 0,8 por cento entre 2008 e 2009, para cerca de 443.102 pessoas. Eram 446.333. Foram embora 3231. É muita gente. O que teremos feito mal? O pior é que deve ser ainda mais gente. Penso que nestes números estão incluídos os estrangeiros que estavam registados; ou seja, legais. Quantos ilegais terão partido do nosso pais sem nem sabermos? Sabendo que em Espanha a população residente estrangeira aumentou sete por cento, ultrapassando os 5,6 milhões, a nossa humilhação é ainda maior. O que se passa connosco? Já nem conseguimos seduzir as pessoas que tinham uma vida má e vieram para o nosso pais para melhorar. Vão-se embora sem dizerem nada e deixam-nos mal vistos até com os espanhóis? Não pode ser a falta de emprego. Isso também nós não temos e com muito gosto partilhamos com eles as vicissitudes da falta de postos de trabalho. A comida, quando se come, é boa. O clima, o melhor. A polícia é mais simpática que a francesa ou a alemã. Ninguém se pode queixar. Então, não percebo. Não somos suficientemente bons para eles? Gostava de ver o caixote de lixo deles para ver a imigração que têm lá em casa. Sinto-me ofendido. Conhecendo-me como me conheço, a próxima vez que for de ferias, vou andar desconfiado. Já me vejo a passear pela Moldávia, Romena ou Ucrânia e desconfiar do primeiro nativo que me fale em português. No Brasil, vai ser mais fácil identificar quem desertou do nosso país. São faladores, e não vai faltar alguém que me diga que tem saudades de Portugal. Espero não me passar dos carretos e responder-lhe grosseiramente qualquer coisa como: “Sabes onde podes pôr as saudades, meu sacana ingrato?”. Gostaria ir a Angola ou Cabo Verde pedir a residência, e uma vez obtida, voltar para Portugal, para que aprendam a sentir a mágoa que causaram com a ausência. Não votarem para as legislativas não é desculpa. Ninguém que seja boa gente pode deixar-nos sozinhos com o governo e o orçamento que temos. Só me faltava mais esta. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:29
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