Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

Os problemas conjugais existem desde sempre. Uma semana depois de Adão ter encontrado o amor da sua vida acabou-se a festa, a comida de borla e o dolce fare niente. Se calhar, no caso do primeiro casal bíblico, foi demasiado rápido mas é compreensível atendendo à inexperiência de ambos e a falta de familiares e amigos. Até o início do século passado, apesar dos problemas de relacionamento, embora continuassem a existir, ainda havia respeito e até obediência pelo marido e pai. Depois, todos conhecem a história. A democracia, as mulheres a serem independentes, o direito ao voto, o tu és um egoísta, que eu também sou uma pessoa, e assim por diante. O caos. Em Portugal, por causa do infame Salazar, a instituição familiar, bem ou mal, lá mais ou menos se aguentou. Mas, felizmente, depois de acender a luz e sair da obscuridade do fascismo, a família também entrou na modernidade. Digamos que nos últimos trinta e cinco anos, fizemos um update do que agora se pode considerar uma família civilizada e moderna. Um exemplo disto é cada vez mais os portugueses recorrerem à terapia de casal como forma de tentar evitar o divórcio. Também temos uma juventude responsável e já há casais de namorados à procura de ajuda especializada para prevenir problemas futuros. Isto é muito bom, porque, adaptando um velho lema, a terapia não só nos faz bem como também damos de comer a um português ou a uma portuguesa. Entre os casais que recorrem à terapia há também os que sofrem da síndrome chamada ornitologicamente de «ninho vazio». Após os filhos saírem de casa, o casal depara-se com a dificuldade de voltar a viver bem só os dois. Para mim, é só falta de imaginação ou não ter mais nada a fazer. Mas acredito que precisem de ajuda profissional. Lembrei-me de tudo isto por ter lido uma notícia que dizia que o grande ex-jogador e afortunado ex-treinador, José Oliveira vai processar o filho por não sei que declaração feita por ele em não sei que programa. De repente, senti-me nos Estados Unidos ou num qualquer outro país muito desenvolvido. É tão contemporâneo e tão civilizado processar o próprio filho em vez de lhe dar uma primitiva estalada, que só por isto valeu a pena os anos em que vivi na clandestinidade. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:05
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO