Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

Ontem, num desses programas de televisão em que o público participa pelo telefone, ouvi muitos comentários críticos sobre as medidas de segurança que rodeou a comitiva do Benfica na sua viagem ao Porto. Condenava-se que um acontecimento desportivo obrigasse a mobilizar tanto meios policiais, bem como os custos do tal aparelho de segurança. É, na realidade, uma pena que seja preciso ter tanta polícia para escoltar uma comitiva desportiva. Julgo que as claques futebolísticas têm bastante falta de imaginação. Protestar, incomodar, fazer sentir a certas visitas que não são bem-vindas é de facto um direito. Mas podia ser mais festivo e menos dramático. Porquê atirar pedras quando se pode protestar com formas menos primitivas e igualmente expressivas? Compreendo que as pedras são mais baratas que os ovos, mas o efeito com esta segunda hipótese é mais espectacular, a vítima dificilmente será enaltecida como mártir, a penalização é menor e até pode dar momentos para mais tarde recordar. Ao contrário das pedras, que ficam sempre mal na fotografias. Mesmo que sejam inocentes crianças palestinianas a lançá-las contra os maldosos robocops israelitas. A moda de usar bolas de golfe também não é boa ideia. Embora sejam branquinhas, giras, até algumas de marcas superiores, todas elas podem magoar mesmo a sério. Mas concordo que quando as mostram sobre o relvado têm melhor aspecto que calhaus ou pedras da calçada. Mesmo assim, condeno-as firmemente. Em mãos erradas ou em cabeças certas podem ser muito perigosas. Apelo às claques dos clubes de futebol a serem mais descontraídas nos seus ódios de estimação. Para quê arriscar haver sangue derramado quando pode haver apalhaçadas tartes de creme espalhadas na cara dos inimigos, branca farinha que daria um toque natalício aos rancores, os clássicos e referidos ovos, que embora caros, sempre arrancam um sorriso aos mais novos. Pode-se não gostar mesmo de alguém sem ter desejos homicidas. Quando os adeptos mais fervorosos do futebol perceberem, não vai ser preciso tanto aparelho policial. O dinheiro gasto na segurança vai poder ser dirigido a armas de arremesso mais sofisticadas como bolas de Berlim com creme, pastéis de nata ou Dons Rodrigos. Sem limitar o direito de expressão, façamos da violência uma saudável catarse. Como com o sexo, sejamos veementes com a segurança. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
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