Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

Um rabi discutia com outro um problema teológico. No meio da discussão, Deus aparece num relâmpago para resolver o diferendo. Os rabis, indignados, disseram-lhe: não interrompas! Este problema não é contigo. E continuaram a discutir. Gosto muito desta história. A religião, às vezes, não tem nada que ver com Deus. Aliás, não há religião que não tenha seguidores que fazem mal à causa. Os católicos têm de arcar com os pedófilos. Há poucos anos, houve um escândalo em Nova Jersey de lavagem de dinheiro com rabis pelo meio. Há umas décadas, os monges budistas auto-imolavam-se, o que nunca foi um bom exemplo de protesto. Muitos dos fundamentalistas islâmicos são bombistas suicidas. Há igrejas evangélicas que são só máquinas de fazer dinheiro, outras que, além de lucrativas, têm líderes com vidas duplas pouco cristãs e assim por diante. Não vou cair na conversa de tentar distinguir qual destas degenerações é mais ou menos graves. Se nos puséssemos no lugar de Deus todas seriam igualmente escandalosas e mereceriam, pelos menos, outro dilúvio. É difícil encontrar uma explicação, mas é interessante a capacidade do ser humano para encontrar formas de pecar. Por exemplo, o pastor evangélico Leonel Ferreira, fundador da Igreja Kharisma (com kapa e agá) e da Samaritanos, uma instituição privada de solidariedade social, está a ser julgado no Tribunal de Gaia por peculato e detenção de substância proibida devido ao seu alegado envolvimento no tráfico de urânio 235. Gaia, pastor e urânio 235. Eu acho maravilhoso. Como foi possível reunir estas palavras na mesma frase? Enfim, gente gananciosa sempre houve. Não desesperemos se um dia encontrarmos o Dalai Lama a vender uma bomba biológica. Mas não será por isso que devemos deixar de acreditar numa força superior que nos fez para mostrar ao resto do universo que se podem criar bestas, boa gente e demónios sem por isso estar enganado nem deixar de ser um ente superior. Este, sim, é que é um exemplo para todos nós. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:44
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