Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010

O Automóvel Clube de Portugal afirmou que o combustível vendido nas estações de serviço de baixo custo da Galp é igual ao comercializado nas outras bombas de gasolina, segundo testes que realizou em laboratórios internacionais. Apetece fazer uma manifestação na porta do senhor Galp e gritar: “Cala e embrulha”. Contudo, não me parece boa ideia. De uma perspectiva ética, o ACP tem razão em mostrar a insinceridade da empresa que mentiu ao apresentar a gasolina de baixo custo como um produto de inferior qualidade quando não era assim tão inferior. Por outro lado, a empresa vende um combustível de qualidade a preço baixo. Envergonhada, não quis dizer que estava a vender lebre por lebre, mas mais barata. Isto quer dizer que se pode vender mais barato sem baixar o nível de exigência, o que é bom. A questão é que o ACP provou que é possível reduzir os preços da gasolina. A Galp provou que pode fazê-lo na condição de desprezar o produto mesmo que seja bom. Isto leva-nos a concluir que, sendo a Galp apanhada na sua mentirinha, pode provocar duas coisas e ambas são chatas. Uma é que agora a Galp se veja obrigada a diminuir a qualidade da gasolina baratucha para não passa por mentirosa. A outra é deixar de vender barato o que pode vender mais caro. Quem é que se lixa? Nós. Há uma terceira hipótese. A Galp pode chegar a reconhecer a mentira e, só para chatear, passa a vender o precioso líquido só naquela bendita estação de serviço em Setúbal. Nesse caso, todos os que não vivem naquela abençoada cidade – e somos muitos – ficam fora da jogada. Em qualquer um dos casos, o ACP será visto como o responsável por ter denunciado uma verdade e assim ter prejudicado os que nem se importavam que a gasolina barata fosse inferior à cara. O ACP, com as manias de procurar a verdade, estragou-nos as poupanças. Obviamente, num mundo perfeito, a Galp até podia rir e dizer: “Vocês aí do ACP são cá uns malandros! Fomos apanhados! Mas mesmo assim vamos abrir muitas gasolineiras a vender barato e do bom”. E o ACP respondia que não fazia mal. Era o marketing e o branding que obrigavam àquelas tretas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:47
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