Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

O ministro da Presidência afirmou, na passada sexta-feira, no Parlamento, que o apadrinhamento civil está vedado aos casais homossexuais, tal como a adopção, devido ao entendimento pelo Estado de que as “condições sociais não favorecem o desenvolvimento da criança nem a sua inclusão social”. Miguel Vale de Almeida, deputado do PS e paladino da defesa dos direitos dos homossexuais, considerou que as declarações, além de revelarem, “no mínimo, ignorância”, são “ofensivas”. Vamos pôr de parte o sentimento de ofensa. Julgo que ninguém se pode sentir ofendido por ouvir pessoas, mesmo do próprio partido, a discordar das nossas ideias. O interessante é o qualificativo de ignorância. Nas notícias podemos verificar que foi tomado como um insulto, perspectiva da qual discordo. Ser ignorante é desconhecer ou não ter conhecimentos suficientes para chegar adequadamente a uma conclusão. Para mim, teria sido mais insultuoso que o deputado afirmasse que o ministro da Presidência não se debruçou seriamente sobre o tema em discussão. Quando o meu mecânico me trata como um ignorante por causa dos problemas que o me carro me apresenta regularmente, não me ofendo. É uma realidade indiscutível. Ainda agora considero um milagre que funcione. A mesma coisa acontece com os televisores, os aviões e a rádio, só para mencionar fenómenos que, na minha ignorância, ainda não compreendo. Voltando o tema da adopção pelos casais do mesmo sexo, eu, tal como Silva Pereira, sei muito pouco do tema. Suponho que ter visto aquele filme “A gaiola das malucas”, onde um rapaz é excelentemente educado por um casal gay, não me dá as qualificações necessárias para ser um perito na matéria. Contudo, nunca tive dúvidas de que, desde que se legalizava as uniões entre pessoas do mesmo sexo, estes adquiriam ou deviam adquirir, os direitos próprios de tal institucionalização. Aliás, a adopção devia ser a primeira preocupação de quem aceita legalizar uma relação estável. Órfãos não faltam e os orfanatos têm desde sempre uma péssima imagem, e não apenas por culpa de Charles Dickens. Se Silva Pereira queria fazer olhinhos aos reaccionários que condenam esta alternativa, podia tê-los feito aquando da votação da lei. Por outro lado, compreendo a solidão de Miguel Vale de Almeida, que na Assembleia da República se deve sentir o único gay do parlamento. Força rapaz! Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:03
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