Terça-feira, 16 de Novembro de 2010

A Cimeira da Nato em Lisboa está a preocupar-me. A TAP já ameaça a processar o Estado por perdas causadas por esta confusão aérea. Aconselhava a processar a NATO porque de nós não levam nada. É provável que se adiem duzentos julgamentos. Esta decisão foi tomada pelo Conselho Superior da Magistratura. Mas não fico impressionado. Com ou sem NATO, sabemos que a justiça em Portugal demora sempre. Mais atraso, menos atraso, ninguém ia dar pela diferença. Contudo, foi uma boa tentativa de aproveitar a onda. Os hotéis estão radiantes. Menos felizes estão os restaurantes. Isto também não é grave. De uma perspectiva de infinitude, à larga, tudo acaba por se equilibrar. Como naquela história da roleta, que se tivéssemos infinito dinheiro, acabávamos por ganhar e se tivéssemos infinito tempo, também. Só há que saber retirar-se a tempo. O preocupante vai ser o dia-a-dia. Se nos lembrarmos daquela afirmação que o bater das asas de uma borboleta na China pode provocar um tornado na Florida, há que esperar o pior desta cimeira. É provável que um carro mal estacionado no parque das Nações provoque um desastre em cadeia nalgum bairro de Massamá. Por outro lado, a segurança é fundamental. Não queremos que Lisboa seja recordada como o Massacre de Motosserra na FIL. Para já, o primeiro dia de condicionamentos à circulação no Parque das Nações começou sem problemas no trânsito que circunda a zona. Isto é um mau sinal. Desconfio quando a segurança não causa problemas às pessoas normais. Ficava mais descansado se dissessem que o trânsito está insuportável. Ou que ninguém pode sequer olhar para a antiga Expo sem ser revistado violentamente pelas forças da ordem. Outro pormenor que me inquieta é quem paga a conta deste encontro de alto nível. Cada participante paga a sua parte? O anfitrião convida? A gasolina é a meias? Isto estava previsto no orçamento? Termos de enviar cobradores do fraque a NATO? Onde mora a Nato? O IVA vem para cá ou vai para Bruxelas? Enfim, espero que ao menos comprem lembranças de Portugal para levar à família. Apoiar o artesanato nacional era simpático. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:06
Comentar

Comentários:
De Capas de Jornais a 22 de Novembro de 2010 às 16:41
Nao se compreende como estando Portugal numa situacao economica aflitiva haja dinheiro para organizar cimeiras como favor para estrangeiros


Comentar post

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO