Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

Dois cientistas americanos propõem enviar pessoas a Marte e que fiquem lá. Segundo estes dois, os seres humanos deveriam começar a colonização de outros planetas para se precaverem de uma catástrofe na Terra. Marte possui características que facilitariam a colonização. Os dois propõem que as missões comecem com o envio de duas equipas, formadas por duas pessoas cada, em voos separados, a Marte. Depois, navios de abastecimento regular e mais colonizadores participariam na segunda fase da missão. A tecnologia já existe, ou é de fácil acesso. A ideia é por agora muito contestada pela NASA, por astronautas e outras pessoas com o mínimo de bom senso. Os cientistas acreditam, por outro lado, que o sector privado aceitaria melhor a ideia. No entanto, acho que é um bom tema de discussão. Não concordo que o sector privado seja mais entusiasta da ideia. Devemos pensar que a preparação para uma viagem a Marte, acrescida da formação necessária para sobreviver, organizar e ficar contentes, sabendo que nunca mais voltam, deve ser pelo menos cara. Também não deve ser assim tão fácil recrutar candidatos que não sejam doidos, presidiários, gente que não tem nada a perder e que sejam ao mesmo tempo de confiança e competentes. Outro aspecto do problema é como se pode organizar uma colónia a conta-gotas. Quero dizer que já é difícil encontrar alguém com quem possamos viver na mesma casa. Imaginem serem só dois num planeta não sei quantas vezes maior que a terra e sem um único bar ou café a menos de 54 milhões de quilómetros. E isto só durante uns dias. Outro aspecto a ter em conta é o estatuto social. Normalmente as famílias mais antigas são tradicionalmente mais poderosas ou respeitadas. Os dois primeiros a chegar vão começar a ter a síndrome de Adão e Eva para logo depois se sentirem Habsburgo, Stuart, Gloucester, Orleans, Bragança ou Bourbon. A partir de certo tempo a consanguinidade vai ser inevitável. Qual é o exemplo que vamos dar ao resto do universo? Não sei como se coloniza o universo, mas cheira-me que não é assim. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:10
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