Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

Dou as boas-vindas aos mais de cinco mil visitantes à Cimeira. Sou um pacifista que admite excepções. É por isso que tenho simpatia por esta organização, embora ultimamente não brilhe pela sua competência. Estou curioso para saber, não só se servirá para alguma coisa, como também pelo que vão dizer os convidados quando regressarem a casa. Suponho que ficarão bem impressionados, embora sejam enganados pelas aparências. Espero que não seja preciso explicar-lhes que não é verdade que em Lisboa é fácil estacionar o carro e que não é todos os dias que há tanta Polícia na rua. O trânsito também não é assim tão fluido e o nosso primeiro-ministro não faz jogging no Parque das Nações todas as manhãs. É verdade que a Câmara de Lisboa não fez tolerância de ponto durante a Cimeira, mas não é por isso que adiantou alguma coisa, nem que seja uma prova de dedicação laboral. Se o Campus da Justiça, no Parque das Nações, parecia vazio, não é por não haver criminosos em Portugal. É só porque os julgamentos foram adiados em honra dos senhores visitantes. E não, os portugueses não comem bacalhau nem peixe fresco todos os dias. Com sorte, comemos outras coisas. É verdade que a Polícia é simpática em Portugal. Mas, pelo sim, pelo não, não tentem ir à Cimeira na FIL com um Pólo de 1998, mesmo com motorista. Se os malaios e os jordanos não foram ao Bairro Alto, não tiveram problemas de serem confundidos com dealers, ainda bem. Caso tenham ido, espero que o tenham feito com roupas regionais. Ajuda a passarem despercebidos. Em Portugal, o exotismo é respeitado, desde que seja mesmo exótico e pouco decotado. Por outro lado, o Tejo é mesmo bonito, e quando está azul é por vontade própria. Nós não temos nada a ver com isso e está bem assim. Sim, houve manifestações, mas aconteceram longe dos vossos itinerários. Não têm nada que agradecer. E por último, não estiquem a Cimeira por mais dias. Na quarta-feira, 24, temos uma greve geral marcada. Mas para depois da vossa partida, porque somos bem-educados. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:12
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