Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

Segundo a Folha de São Paulo, 200 agentes da Polícia Militar e 150 da brigada de Operações Especiais invadiram ontem o bairro de Vila Cruzeiro com o auxílio de seis tanques da marinha de guerra brasileira. É sem dúvida curioso que a marinha de guerra tenha tanques e os empreste à polícia para atacar uma favela. Mas não sou o Nuno Rogeiro e não sei nada de armas nem de tácticas militares. Por mim, se neutralizassem os arrastões nas praias do Rio e Janeiro com F16 xpto e os assaltos protagonizados pelas crianças da rua com Napalm, não tinha nada contra. Não há nada que me incomode mais que a criminalidade a estragar as férias. Se é com tanques que conseguem desmantelar as redes violentas do tráfico de droga, só temos que nos congratular com isso. Esquisito é só agora serem tomadas medidas para combater um problema de criminalidade que até o turista mais ignorante de calções curtos com sandálias e meias desde sempre conhece. O porquê de ser só agora tem para muitos aborígenes uma explicação lógica. O Rio de Janeiro organiza os Jogos Olímpicos em 2016 e recebe já em 2014 vários jogos da fase final do Campeonato do Mundo de Futebol. Se fosse esta a explicação, eu, se fosse carioca, ficava muito ofendido. Limpar a cidade para os turistas é insultuoso para quem ali vive. Está bem que para a Expo 98 o presidente da Câmara de Lisboa, o Dr. João Soares, acabou com o Casal Ventoso. Mas não podemos comparar um pequeno bairro com mais fama que proveito com as favelas do Rio. Mesmo assim, na altura senti-me um bocado desconsiderado. Felizmente, essa malta mudou-se para a zona da Almirante Reis e ficou ela por ela. Mas terão as autoridades cariocas previsto para onde se vão mudar os narcos das favelas? Não estamos a falar de umas dezenas de marginais. São muitos mais e mais rápidos que os nossos. Não me surpreendia nada que escolhessem as vilas olímpicas ou os clubes desportivos privados onde as selecções de futebol esperam para serem eliminadas. Espero que saibam o que estão a fazer. Entretanto, confio nos cariocas para inventar eventos internacionais todos os anos para manter segura a cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:00
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