Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

Juntamente com a greve geral de ontem, a notícia mais importante do dia foi o decote de Rita Pereira na noite em que uma novela portuguesa ganhou um Emmy pela primeira vez. Se a greve geral foi a medida do descontentamento do povo português, o decote de Rita deve ter provocado o descontentamento apenas a duas portuguesas: Alexandra Lencastre e Margarida Marinho. Não por lhes faltar talento, pelo contrário, mas porque a sua colega da novela teve argumentos para centralizar a atenção dos presentes. O decote, qualquer decote, suscita sempre problemas a diferentes níveis. Perante o mesmo, é de bom gosto olhar exclusivamente para os olhos da sua proprietária. Outra atitude pode ser mal interpretada. Por outro lado, se olharmos só para os olhos, as consequências são habitualmente calamitosas. Desde sermos confundidos na nossa sexualidade até presenciarmos que a nossa decotada interlocutora se distrai a apanhar os olhares que nos são proibidos a nós, que estamos mesmo à frente dela a esforçar os nossos músculos oculares até aos limites olímpicos. No caso de Rita, os problemas já são do âmbito da política dos Negócios Estrangeiros. Porquê em Nova Iorque e não em Lisboa, podem perguntar, e com razão, os portugueses. Outro aspecto que não é menor consiste em perceber se as suas colegas sabiam o que as esperava. Rita terá escondido o vestido até ao último minuto? É provável. Alexandra e Margarida terão ido propositadamente vestidas de freiras para denunciar o que Rita tentou esconder? Não me parece. Será que ambiciona ser descoberta por um caça talentos hollywoodense? Não seria a primeira vez. Duma perspectiva mais profissional, podíamos perguntar porque é que as mulheres portuguesas argumentam mais no estrangeiro. Daniela Ruah, por exemplo, está muito mais talentosa desde que mora fora do país. Deveríamos nós, os portugueses, ir todos morar para os Estados Unidos para percebermos o que temos em casa? Mesmo que não fosse assim, era uma boa desculpa para emigrar. O mais estranho deste episódio foi a entrevista de uma repórter da televisão americana. Parecia surpreendida com os seios da actriz. Uma explicação possível é que tem em casa uma empregada portuguesa e nunca imaginou que houvesse daquilo em Portugal. A outra possibilidade é a jornalista ter, inesperadamente, encontrado o amor. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:13
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