Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Pelo menos neste país uma coisa é certa: para ser um português amado pelos portugueses é preciso triunfar no estrangeiro. Acontece a todos. Ser bom aqui nunca é suficiente. O mais engraçado é que num passado recente, bastava um português ser filho de estrangeiros ou, no pior dos casos, ter estudado fora para ser olhado com respeito. Agora, com a globalização, ou talvez porque os bilhetes de avião são mais baratos, é preciso mais. O melhor é ser um fracasso completo aqui e depois ter um reconhecimento estrondoso lá fora. Isso, minhas senhoras e meus senhores, é o sonho de qualquer português que queira ser português. Bom exemplo disso é Durão Barroso. Pode ter sido um mau primeiro-ministro mas se a Europa o quis como Presidente da Comissão Europeia, quem somos nós para negar as suas qualidades? Poderá ter sido um mau político, mas havia nele um burocrata de altíssimo gabarito que nós não percebemos. Graças a Deus temos mais exemplos de incompreensão nacional. Veja-se o caso do canal internacional árabe, Al-Jazeera, que fez uma reportagem sobre o vereador José Sá Fernandes. Parece que o homem é o único português que luta contra a corrupção. Corrupção esta que a simpática e intensa locutora aljazeerica afirmou ser o maior mal que assola Portugal. Julgo que é suficiente. Se os árabes afirmam que o Sá Fernandes é um herói, quem somos nós para afirmar o contrário. Se todos os nossos problemas se resolvem com a eliminação da Bragaparques, óptimo. A Al-Jazeera é que sabe. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:54
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