Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

O Reino Unido vai começar a recolher estatísticas que o levarão a criar um índice da felicidade interna bruta, em inglês Gross National Happiness. A decisão nada tem que ver com uma perspectiva hippie do governo de Cameron. A ideia surge porque ficou provado que o Produto Interno Bruto, em inglês Gross Domestic Product, não reflecte a qualidade de vida, o progresso social ou o estado psicológico das populações. Esta ideia surgiu, aliás, em França. Sarkozy juntou vários prémios Nobel para darem umas dicas de como se poderia medir tal coisa. Por sua vez, o termo Felicidade Interna Bruta foi uma invenção do rei do Bhutan, cujo nome não me atrevo a pronunciar. Ou melhor, atrevo-me, mas corrijam-me se estiver enganado: Jigme Singye Wangchuck. Mas a ideia era outra. Tinha que ver com a aplicação estatal do budismo ou coisa parecida. A melhor maneira de conseguir um índice da tal felicidade interna bruta conseguir-se-ia com as respostas dos cidadãos a perguntas como: está satisfeito com a dimensão das suas dívidas, com a poluição, com o tipo de vida que leva, com a educação dos seus filhos, os serviços do estado ou de empresas privadas com as quais se relaciona, como companhias de seguros, e assim por diante. O conceito é excelente. Tenho a certeza de que em certos países isto podia dar-nos uma ideia bastante acertada do grau de felicidade dos seus povos. Suponho que as perguntas teriam de ser diferentes, consoante o país. Se perguntarem a um habitante de Sarajevo se está mais ou menos feliz que há 20 anos, com certeza responderá que está mais. Um francês, perante a mesma pergunta, provavelmente responderá que está menos. Enfim, nada que não se resolva. Contudo, imagino que isto não funcione com precisão em Portugal. Somos um povo que se queixa mesmo quando está feliz. Sei lá, temos vergonha ou não queremos tentar a sorte. Outra dificuldade para medir a nossa felicidade está nas nossas prioridades. Por exemplo, ser amigo do ambiente é uma causa simpática, mas se os preços dos Range Rover e de outros todo-o-terreno descessem, era uma felicidade para muitas donas de casa portuguesas. Por último, e não menos importante, gostamos da nossa privacidade. O nosso Produto Interno Bruto está nas lonas, mas pronto. Não é só o nosso PIB, como também ficamos com uma ideia de como vai a nossa felicidade interna bruta. Não há mais nada a saber. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:33
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