Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

Paul Krugman, Nobel da Economia, afirmou que o problema da crise na Europa é Espanha. Referiu-se à Irlanda, à Grécia e a Portugal como “tapas”. Muitas pessoas sentiram-se ofendidas e não percebo porquê. Se é por as tapas serem pequenas e, nesse caso, a Espanha é todo um jantar, isso não é motivo para nos sentirmos feridos no nosso orgulho nacional. Bem pelo contrário. Para mim, as palavras de Paul Krugman foram as mais optimistas desde que a crise começou a ser reconhecida pelo governo. Com a analogia gastronómica, o economista pretendia sugerir que o nosso problema é de solução fácil e rápida. Vamos deixar de lado que há tapas caras e indigestas, mas com certeza não se referia a essas. Para Krugman, Espanha só resolveria a sua situação se deixasse o Euro ou se a Europa saísse decidida e dispendiosamente em sua ajuda. No nosso caso, não era preciso tanto alarido. Suponho que sendo um problema relativamente barato, nem sequer da Merkel precisaríamos. Bastava um obscuro secretário de estado alemão para que Portugal voltasse a ser o paraíso que sempre foi. O tema é que a realidade pode ser um pesadelo para nós, mas em termos europeus ou mesmo mundiais, como problema somos amendoins (peanuts, no original). Claro está que Krugman não esclarece se a soma dos amendoins, quero dizer, Irlanda, Grécia e Portugal juntos, dá para ser um problema de dimensão hispânica ou se mantemos a nossa condição irrelevante. Se calhar juntos deixamos de ser uma tapa e podemos aspirar a ser uma entrada ou até um jantar, mas num restaurante menos caro. Não sei. O problema com as analogias é poucas vezes ser possível dar-lhes uma continuação que nos leve a uma conclusão rigorosa. Se o economista tivesse optado por outra comparação mais fácil de avaliar o preço, tinha sido mais fácil seguir-lhe o raciocínio. Por exemplo, se tivesse dito que a Espanha é um Bentley e a Irlanda, a Grécia e Portugal são motas Vespa. Nesse caso, era fácil concluir que três Vespas não fazem um Bentley. Também podia ter dito que a Espanha é uma acompanhante de luxo em Nova Iorque e nós, os três pelintras, somos três velhas experientes que trabalham em Monsanto. Este também seria, para nós, um comentário optimista. Mau era se tivesse feito a mesma analogia com barcos. A Espanha seria um transatlântico e nós os três, iates. Se os iates fossem como os do Abramovich ou algum outro excêntrico milionário, estávamos feitos. Eu fico com a minha primeira interpretação. Somos fáceis e baratos de resolver. Porém, espero que de futuro Paul Krugman faça analogias mais claras. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:55
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