Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

Sindicalistas noruegueses denunciaram o caso de uma empresa que obriga as trabalhadoras a usar braceletes vermelhos nos dias em que estão menstruadas. A medida é justificada pelo empregador como uma forma de permitir que essas funcionárias possam passar mais tempo na casa de banho. Os patrões deste país escandinavo têm em curso uma directiva para limitar as pausas, alegando que põem em risco a produtividade das empresas. Antes que alguém grite “noruegueses fascistas” ou “as casas de banho pertencem a que as usa”, peço um pouco de calma. Devemos admitir que há abusadores em todo o lado e em todas as profissões. Suponhamos que os noruegueses além de abusadores normais, tenham escolhido as exigências da natureza para se baldar. Suponhamos também que chegaram, com a ajuda dos seus esfíncteres, a pôr em risco a viabilidade das empresas onde trabalham. Os empresários, preocupados, estão a tentar controlar os excessos com um cartão magnético que indica o tempo que os funcionários demoram e a frequência com que se aliviam. É um modo silencioso de detectar abusadores. Por enquanto, está tudo bem. Claro que há excepções. Pode haver pessoas com o intestino sensível, outras com problemas de próstata e, como neste caso particular, mulheres com o período que também precisam de compreensão. O problema para os sindicatos é que desta maneira é violada a privacidade das trabalhadoras. Concordo, mas a indiscrição sucede porque só elas obtiveram o privilégio de ir mais vezes e durante mais tempo aos sanitários. Julgo que é uma prova de compreensão patronal louvável, embora discriminatória. Não para as senhoras, mas para todos os que precisam de visitar a casinha mais vezes que um ser humano normal. Falo dos diarreicos, daqueles que sofrem de cistites ou outras infecções urinárias, das pessoas com distúrbios da alimentação, como as anorécticas ou as bulímicas, que não prescindem do seu vómito diário. Falo ainda dos leitores que não conseguem fazer nada na retrete se não lerem A Bola e assim por diante. Todos eles também merecem um bracelete de excepção. Não me oporia a que a duração permitida fosse adaptável às necessidades temporárias ou permanentes do usuário do W.C. Se os patrões noruegueses compreendessem que os seres humanos, apesar de terem urgências iguais, têm também tempos e assiduidades diferentes, não discriminavam ninguém. Sendo assim, nada será melhor que a obrigatoriedade de utilizar diferentes cores nos diferentes braceletes para identificar os utilizadores com permissões diferentes de acordo com as suas características psíquicas, fisiológicas ou disfuncionais. É preciso ter em conta que, nos tempos que correm, temos de sacrificar algo de nós para manter a economia a funcionar. Chegarmos a um ponto de entendimento entre empregados e entidades patronais é uma obrigação de todos. Se tivermos de contar a toda a gente que estamos com diarreia para salvarmos o país, então que assim seja. Se isto se consegue com braceletes de cores nojentas, então que venham os braceletes. O importante é podermos ir à casa de banho de consciência tranquila. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:12
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