Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

Quando começou esta história das revelações do WikiLeaks dos telegramas dos diplomatas americanos, pareceu-me normal que houvesse tão poucos e tão irrelevantes sobre Portugal. O problema dos voos da CIA era o mínimo que esperava. Mas não é por ter acertado que fiquei mais contente. Tinha gostado mais de alguma tricazinha para fazer um ramalhete pelo menos digno. Expliquei a mim próprio que não haver nenhuma indiscrição além daquela esperada dever-se-ia ao excelente trabalho dos nossos governantes, aos serviços secretos e à diplomacia. Um pouco difícil de acreditar, mas com patriotismo e boa vontade tudo se consegue. Ontem a WikiLeaks publicou uma lista de “infra-estruturas vitais” localizadas em vários países que os Estados Unidos querem proteger. Entre elas encontram-se a fábrica química alemã BASF em Ludwigshafen, o complexo gasífero russo de Nadym e o gigante industrial francês Alstom. Tudo bem, mas mais uma vez não estamos incluídos. A PT, que é a nossa jóia da coroa, ou a Cimpor, cuja actividade na construção civil e no recrutamento de ex-governantes de prestígio como Jorge Coelho, estão a ter um lugar único no empresariado internacional. Nem a Couto SA, cujo laboratório deu ao mundo o restaurador Olex e a pasta medicinal Couto, estava incluída. Já para não falar da ausência dos Açores, em tempos áureos o porta-aviões da luta contra o comunismo. Volto a perguntar a mim mesmo se somos assim pouco importantes ou somos tão bons que conseguimos enganar mesmo o bufo dos bufos, o Julian Assange. Quero acreditar que sim. Não sermos mencionados como cúmplices do plano maquiavélico de dominar o mundo não será prova de não estarmos no esquema. Pode ser que Portugal, tal como era antes um império colonial, seja agora um imenso 007. Letal e inidentificável pelas mexeriqueiras forças da liberdade de imprensa. Portugueses, não desmoralizem. Viver na clandestinidade e não sermos reconhecidos internacionalmente é o preço a pagar por sermos tão bons. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:14
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