Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

A questão da distribuição de dividendos está a enlouquecer toda a gente. O PCP apresentou um diploma que visava tributar, ainda em 2010, a distribuição de dividendos, para evitar que as empresas escapassem ao pagamento de impostos, um agravamento previsto no Orçamento do Estado para 2011. O presidente da PT afirmou que os dividendos a distribuir este ano pelos accionistas resultam de uma operação extraordinária que foi a venda da Vivo, não representando uma distribuição de lucros normal. Por mais que achemos que é uma pena perder um dinheirinho jeitoso que ajudaria o Estado neste momento de penúria, não é caso para perder a cabeça. E muito menos para iniciar uma mitologia onde na os deuses tomam os nomes de empresas. Mercúrio seria a PT. Gaia, a deusa da fertilidade, o Jerónimo Martins e a Semapa, do imobiliário, seria Vulcano. Não é assim. As empresas empresam e os deuses fazem o que devem fazer. Os deuses podem ser caprichosos, maus ou generosos. As empresas carecem destes atributos. É por isso ridículo falar de uma iniciativa que é legal por um lado, mas moralmente duvidosa por outro. Eu não acho que o meu gato é mau porque, quando a caixa está suja, faz cocó na sala. Nem posso dizer que fisiologicamente fez bem, mas é um egoísta porque só pensa nele. A propósito do que Sócrates disse numa entrevista, que esperava uma atitude solidária da PT, gostaria de lembrar que já pensámos usar esse mesmo argumento na altura de pagar as contas ou as malditas cartas registadas das Finanças. Nunca tentei, mas se o fizesse, nem às paredes confessava. Por uma questão de princípio, neste caso, como noutros, a culpa é dos governantes. Não previram que lhes podiam escapar uns milhõezinhos da PT? Agora desembaracem-se. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:16
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