Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

Um tribunal inglês recusou a libertação sob caução pedida pelo advogado de Assange. O fundador da WikiLeaks, de 39 anos, contestou o pedido de extradição feito pela Suécia, que deseja interrogá-lo num caso de agressão sexual e violação ocorrido em Agosto, na Suécia. A ideia de tudo ser uma conspiração contra o jornalista, como represália pelas suas revelações, não só tomou conta da opinião geral, como é também a base dos advogados de defesa de Assange. Ser um mártir dá sempre boa publicidade. O problema maior da convicção da sua inocência é a confusão que cria em torno da liberdade de imprensa e a acusação de ser um agressor sexual. Uma coisa não tem que ver com a outra. Não vale a pena saber se, caso o tal crime tenha mesmo sido cometido, é na realidade um crime ou não, nem tampouco saber por que razão só agora sabemos destas actividades supostamente ilícitas. Como disse o famoso ateu e alcoólico Christopher Hitchens, que apelou a Assange para se entregar às autoridades, um dos problemas é “a acusação ser demasiado pequena ou demasiado tarde ou ambas ou pior”. Porém, em todas as alternativas vemos uma vítima das forças do mal que não admitem a liberdade de informação. Não sei se Julian Assange é um anjo ou um demónio, mas sei que, com ou sem actividades sexuais discutíveis, não é uma personagem inocente. Ser, no melhor dos casos, um ingénuo não seria uma atenuante para mim. Contudo, é terrível verificar que, caso Assange for declarado não culpado destas acusações, será péssimo para todos os que acreditam que vivem num mundo que tende a ser mais transparente e, consequentemente, mais justo. E que tende a encontrar uma forma cada vez mais apurada de civilização. Se todo este processo é mesmo um esquema para tramar um inocente, perdemos todos. Seria por isso bom que Julian Assange fosse, com ou sem desrespeito pelas suas vítimas, tanto faz, culpado dos crimes de que é acusado. Ganhavam aqueles que defendem a liberdade de imprensa e os que acreditam na Justiça. Seria uma prova de que a obra é independente do autor. Uma pessoa pode ser um paladino da liberdade de informação e ser um sacana na vida particular. E se exceder os limites, as suas façanhas não o ilibam. A justiça ser para todos seria por fim uma realidade. Mal de nós se tudo não passar de um logro para calar um homem. Quero dizer que, se a justiça sueca e a Interpol foram moços de recados de forças obscuras e poderosas, estamos feitos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:20
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