Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

O discurso laudatório que o Presidente da Assembleia, Jaime Gama, fez a Alberto João Jardim no Funchal provocou um pandemónio dos grandes. Os socialistas, em especial os da Madeira, ficaram fulos e ofendidos. Edite Estrela disse ter a esperança de que os elogios tenham sido feitos em "tom irónico". Agora se há coisa que a ironia não tem é um tom, com esquecíveis excepções no teatro português. Se não deixava de ser irónico e não passaria de uma chalaça ou uma provocação. Aliás, quem conhece Jaime Gama sabe que muito embora tenha a fleuma necessária, o homem não só não tem “tom” como também é célebre por ter feito os discursos mais aborrecidos desde o 25 de Abril de 1974. Antes, só Américo Tomás o ganhava aos pontos. Ana "intensa" Gomes teve também a sua versão consternada do encómio. Disse que Jaime deve ter feito "humor negro". Eu acho que é possível mas não é provável. Para fazer humor negro uma pessoa tem de cultivar desde pequenino o cinismo e desrespeito. E isto não está ao alcance de todos. Muito menos de Jaime Gama que deve ser um dos políticos que nasceu para representar o papel da personagem institucional. Ou de chato como diria o povo. A minha versão é que Jaime Gama foi sincero e, como é costume seu, inteligente. Disse, por exemplo de Jardim, que a Região Autónoma da Madeira é "um trabalho notável, é uma conquista extraordinária, é uma obra ímpar e isso deve ser reconhecido". Doa a quem doer, devo dizer que estas palavras podem ser aplicadas a um clube de Futebol. E não tenham dúvidas que se há no nosso país um outro Alberto João Jardim, esse é o Jorge Nuno Pinto da Costa. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:54
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