Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010

A Comissão Nacional de Eleições apelou hoje aos órgãos de comunicação social para que na cobertura noticiosa das eleições presidenciais contribuam para diferenciar actos de campanha de outros “praticados no exercício de uma dada função de Estado”. A mim não me enganam. O único que pode chegar a provocar alguma confusão é Cavaco Silva. Ele é o único que tem uma função de Estado. Aliás, tenho a sensação de que é também ele o único que trabalha, mas isso pode ser ainda mais difícil de diferenciar. Contudo, admito que, por exemplo, Fernando Nobre, ao ter uma ocupação bastante mediática, pode em casos pontuais, baralhar os inocentes órgãos de comunicação. Porém, podemos admitir que quando está de bata branca, rodeado de doentes e estrangeiros miseráveis, não está como candidato. Caso os doentes e miseráveis sejam portugueses e ele continue de bata branca, pode, obviamente, confundir. Jugo que seria honesto da parte de Nobre não se vestir de médico enquanto dure a campanha eleitoral. Com os outros candidatos é tudo mais simples. Como não fazem outra coisa, há que considerar que falam e actuam como aspirantes à presidência da República. Para prevenir qualquer baralhação com Cavaco, vamos ter de descodificar objectivamente os sinais. Normalmente, quando está acompanhado do cirurgião Lobo Antunes, é candidato. Mas não é matemático. Lobo Antunes, o médico, gosta muito de aparecer. Não me surpreenderia que o apanhássemos com Cavaco Presidente, como também pode acontecer ver Cavaco candidato sem Lobo Antunes ao lado e julgarmos que estamos perante Cavaco Silva presidente. O problema é bicudo e não sei se os órgãos de comunicação social chegam a descortinar estas subtilezas. Devíamos obrigar o cidadão Cavaco Silva a vestir uma farda, um bracelete ou se calhar um chapéu, que nos indique quem estamos a ver. Não está certo que a Comissão Nacional de Eleições exija tanto rigor aos órgãos de comunicação social. É difícil. São tão parecidos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:23
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