Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

Não discuto que os temas importantes na nossa sociedade sejam o desemprego, a saúde, as finanças. Até posso incluir a educação, se insistirem muito. Mas há coisas pequeninas que me dão uma certa vergonha. Por exemplo, a cadeia de supermercados Lidl desistiu há poucos dias dum processo que tinha interposto em Junho do ano passado a uma mulher de setenta anos de Paços Ferreira acusada de roubar um creme hidratante no valor de um euro e trinta e nove cêntimos. Esta gente desta enorme cadeia de supermercados leva o seu tempo para perceber o ridículo. Outro caso: o Procurador da República Gonçalo Silva interrogou o dirigente do poderoso clube de futebol os Dragões Sandinenses a respeito de uma oferta de relógios ao trio de arbitragem. O dirigente negou. Parece que encontraram facturas referentes à aquisição de trinta e seis relógios no valor de três mil e setenta e oito euros. Segundo as minhas contas cada relógio devia valer, mais coisa, menos coisa, oitenta e cinco euros e cinquenta cêntimos. Mais barato, só na loja dos trezentos. Eu gostava de saber quem se deixa comprar por um relógio de, vá lá, oitenta e um euros. Eu nem consigo que o sem-abrigo que dorme à porta da minha casa mude para a porta do lado, que é igual e até tem menos luz. Agora, pondo de parte estes dois casos de crime organizado, não posso deixar de perguntar isto: como é que os senhores da nossa justiça aceitam que estes casos cheguem até os tribunais? É que é muita gente, muito tempo perdido e muito dinheiro deitado pela janela fora por tuta e meia. Devia haver um direito de admissão e testes psicotécnicos para habilitar as pessoas a serem, não criminosos, mas suspeitos de serem suspeitos. Poupava-se imenso. Entre isso, o nosso orgulho nacional. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:46
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