Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Quando um amigo nos conta que encontrou a mulher a jantar com o patrão e comenta que o gajo é porreiro, pensamos que o nosso amigo está em negação. A negação é um sistema de defesa que omite qualquer ataque à estabilidade normal. Normalmente, aqueles que se suicidam tem uma absoluta falta de negação. Não se poupam a nenhum pormenor que lhes faça a vida mais miserável. E, claro, imaginem encaixar todas as maldades das quais somos vítimas, sem esquecer nenhum pormenor. Obviamente, torna-se fatal. Por isso a negação bem doseada pode salvar-nos a vida. Não se pode exagerar sob pena de nos tornarmos felizes imbecis. E o preço da felicidade pode ser regateada. Temos um bom exemplo de negação com as declarações de Ângelo Correia, que afirmou que estava muito insatisfeito com a situação do partido. Rapidamente Luís Montenegro, o primeiro vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, explicou que a “insatisfação” se limitava às críticas internas e que não atingem em nenhum aspecto a direcção liderada por Luís Filipe Menezes. Isto é negação pura e dura ao serviço de um ideal. Outro exemplo com Armando Vara, quando afirmou que ainda hoje acha que fez aquilo que lhe pareceu certo quando apoiou a candidatura de Fátima Felgueiras à câmara em 2001. E isto apesar de já conhecer as denúncias relativas às alegadas irregularidades na autarquia da Fátima, o que também mostra um saudável equilíbrio e justa utilização da negação. Ao serviço de superiores interesses, evidentemente. Voltando ao meu amigo. Quando a mulher lhe disse que se sentia insatisfeita, ele comentou: o patrão dela deve ser um incompetente… Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:43
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