Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Houve uma declaração de Luis Filipe Scolari na semana passada que foi muito pouco comentada. Ele afirmou que, na sua opinião, se devia pôr um travão à naturalização de brasileiros. Suponho eu que de estrangeiros em geral. E que os responsáveis da FIFA deviam tomar medidas. E que Joseph Blatter podia ter aqui um papel importante. Para um homem que prega aos quatro ventos a lealdade aos seus jogadores, esta é uma afirmação difícil de digerir. Mas comecemos pela ingratidão. Deco foi o brasileiro que iniciou esta nefasta moda de se naturalizar português. Na altura ele estava na sua melhor forma e compreendia na perfeição os seus companheiros de equipa. Muito deles companheiros de uma equipa muito bem preparada por José Mourinho. Scolari, obviamente, não recusou um jogador assim. Mas se a FIFA tivesse uma palavra a dizer contra esta escolha, tal oportunidade não podia ter acontecido. Se Scolari é sincero ao afirmar que está contra os jogadores naturalizados, porque é que simplesmente não os aceita? Scolari desfruta da sua imagem de homem independente e que não cede a pressões. Bem nos podia mostrar a sua integridade e não ceder a tentações. Fazer coisas que desaprova no seu foro íntimo só porque estão permitidas não é de homem. Querer que um organismo superior, a FIFA neste caso, decida por ele, é, no mínimo decepcionante para todos aqueles que vêm nele um seleccionador egocêntrico mas com princípios. Pelos vistos, é mais um que prefere passar a bola para não ser responsável de qualquer catástrofe que se avizinhe. Por outro lado, uma pessoa que muda de nacionalidade deve ser respeitada. É uma escolha suficientemente importante e decisiva para não ser vista só pela óptica mesquinha do oportunismo. Scolari não precisou de se naturalizar para ser o nosso treinador. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:48
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO