Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Não percebo muito bem as razões de tanto alarido com as declarações de Alberto João Jardim. Se Cavaco Silva tivesse dito a um chefe de Estado estrangeiro que não o levava à Assembleia porque aquilo era composto por um bando de loucos, ficava preocupado. Mas Jardim é Jardim e sempre foi excessivo e sincero. Depois temos de ter em conta que a Madeira é pequenina. A Assembleia Regional também é pequenina. Tão pequenina que tem quarenta e quatro deputados dos quais só catorze são da oposição. É pouca gente e é normal que haja algumas familiaridades. Para não ir mais longe, quando os meus avós eram vivos e nos encontrávamos no Natal, a nossa família superava largamente uma Assembleia Regional da Madeira, o que dava uma variedade de pessoas ainda maior que a que tem Jardim. Lembro-me de num grupo de quase sessenta pessoas haver pelo menos dois homossexuais confessos, um deficiente mental com quem ninguém discutia, cinco esquerdistas furiosos que estavam sempre de trombas, pelo menos oito fascistas assumidos com quem também não se podia discutir, um punk que não falava, um comunista que não ouvia, doze democratas cristãos, todos eles alcoólicos, alguns socialistas pouco convictos, e o resto da família sempre contra o governo fosse ele qual fossem. Por acaso havia poucos os sociais-democratas. Tenho a certeza de que se Cavaco chegasse de visita no meio de um desses jantares, eu seria o primeiro a propor-lhe que talvez fosse melhor darmos uma volta pelo bairro porque naquela casa só havia um bando de doidos. Quem me podia levar a mal? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:38
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