Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

A lei do divórcio foi aprovada e pronto. Faz parte das regras democráticas num Estado de direito que as leis promulgadas devam ser aceites por todos. Mas apesar de as leis serem para cumprir, isso não significa que pela primeira ucraniana que nos apareça na frente aproveitemos a nova legalidade para darmos largas ao nosso deboche. Não podemos permitir que casamentos conseguidos à custa de muito sofrimento sejam agora rapidamente aniquilados pelos calores da Primavera. Pela minha parte, não gosto, em geral, que me facilitem a vida quando me leva tanto trabalho a complicá-la. Mas, enfim, isso sou eu. É por isso que gosto de Matilde Sousa Franco. Matilde foi a única deputada socialista a votar contra a promulgação desta lei. Não é a primeira vez que vota contra a orientação do partido. Ela é um ser especial. Matilde é socialista em geral e conservadora em particular. Por particular entendo as questões que têm que ver com o foro íntimo das pessoas como a questão do aborto e, agora, a lei do divórcio. Matilde não tem medo. Tenho a certeza de que muito boa gente na bancada socialista deve achar que ela é uma chata, como já achavam do seu falecido marido. E eles razão. No entanto, Matilde Sousa Franco, na sua solidão de socialista cristã, preocupada com os valores que passam de moda, tem um não-sei-quê de enternecedor. Mesmo que a história, o simplex e a modernidade lhe passem por cima, ela não arreda pé. Se tivesse agora um copo na mão, erguia-o bem alto e brindava a Matilde. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:49
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