Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Os problemas do sistema de saúde já não o que eram. Dantes era mais fácil ter uma opinião. Quem podia estar a favor dos famosos fechos dos Centros de Saúde que tornaram célebre o anterior ministro? Só os administrativos que queriam poupar dinheiro. Agora, os problemas são mais filosóficos. É ou não é moral fazer cirurgias plásticas nos hospitais públicos? O Bastonário da Ordem dos Médicos diz que não são ilegais mas imorais. E diz que só deviam ser praticadas se fossem úteis para a formação dos médicos internos. O que levanta outra questão moral embora legal. Você deixava que um interno fizesse um aumento mamário à sua mulher? Eu só aceito se a mulher do bastonário for operada primeiro. E mesmo assim, quero ver como é que a senhora ficou. Outro problema filosófico tem que ver com as operações às cataratas. Acho imoral, embora seja legal, que haja uma lista de três anos de espera para ser operado aos olhos. A alternativa que Luis Gomes, o Presidente da Câmara de Vila Real, encontrou foi a de enviar os doentes a Cuba. Medida legal e moral mas, pelos vistos, pouco patriótica. Apesar de conseguir as viagens a preços vinte e cinco por cento mais baratas do que as que se praticam em Portugal, com ida e volta incluída, provocou um escândalo nacional. Não percebo tanta indignação. Se a solução do Serviço Nacional de Saúde está no estrangeiro, qual é o problema? Nacionalizar as cataratas parece-me uma solução totalmente fora de moda. Inteligente seria instalar agências de viagens nos hospitais. Ouvi dizer que Sócrates quer modificar esta apropriação cubana das nossas lusitanas cataratas. A ideia é baixar os custos nos hospitais portugueses. Acho óptimo sobretudo agora que Cuba está a liberalizar-se. Daqui a pouco, vamos poder ir a Cuba até para comprar óculos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:38
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