Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

No fim-de-semana passado aconteceu o reavivar de um conflito histórico: drogas ou álcool. As drogas foram representadas pelos simpáticos e pedrados fumadores de cannabis, que fizeram uma não menos simpática e pedrada manifestação. Do lado dos alcoólicos, fizeram notícia um não menos alegre casal de turistas irlandeses que, na primeira noite da sua chegada ao típico e tradicional Algarve, apanharam um grande pifo. Coisa que em si não teria nada de extraordinário. Nada que ninguém não tenha já visto na 24 de Julho ou à saída das discotecas depois das cinco da madrugada. Dois pormenores, no entanto, marcaram a diferença. Eram dez da noite e o casal de irlandeses estava acompanhado dos seus três filhos de um, dois e seis anos. Está claro que este incidente foi uma má publicidade para o alcoolismo. Mas também para qualidade da hotelaria algarvia. Um bom recepcionista resolvia a situação em prol dos seus clientes em vez de chamar a Polícia e talvez os jornais. Se tivesse sido a Britney Spears, teria feito o mesmo? Claro que não estou a defender a irresponsabilidade alcoólica dos pais. Pelo menos, hoje não. Mas é possível que haja atenuantes. Por exemplo, que estas fossem as suas férias de sonho e de repente se tenham apercebido de que o Algarve não é exactamente o que esperavam. Ou que estivessem tão contentes, tão contentes porque afinal não era tão mau como pensavam. Ou simplesmente, como os pais da Maddie, pensaram que estavam seguros. Enfim, se há atenuantes para homicidas, qual é o mal de os procurar nos alcoólicos? Mas voltando aos pedrados, compreendo a sua indignação. Estaria igualmente revoltado se fosse legal beber uma vodka, mas fosse crime comprá-la ou destilá-la em casa. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:48
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