Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007
Para nós, gente crescida, a noite de fim de ano é como a noite de Natal para as crianças. Em vez dos presentes trazidos pelo Pai Natal, temos o ano novo trazido pelo calendário gregoriano. Somos todos crianças incorrigíveis com a agravante de todos sermos reincidentes nos fins de ano das nossas vidas, no nosso entusiasmo e em estarmos teimosamente felizes a celebrar um ano que acreditamos ser sempre melhor do que o anterior. A piada é que repetiremos exactamente tudo igualzinho dentro de exactamente 366 dias, porque lembremos que 2008 é ano bissexto. É uma sorte que, apesar de tudo, todos sejamos sobretudo optimistas. Ou, talvez, não seja uma questão de sorte. Talvez, o optimismo do fim de ano seja um momento darwiniano, de evolução da espécie. Todos os que não aceitem a possibilidade de que o ano novo não será melhor que o anterior, estarão condenados a extinguir-se. Só sobreviverão os mais fortes. Ou melhor, os mais fortemente convencidos de que o pior já passou. E que este ano novo nos encontrará mais evoluídos, mais aptos para a sobrevivência. Não é uma má teoria. Outra possibilidade para explicar tanta excitação é que seja tudo mentira e que no fundo ninguém acredite que o próximo ano seja melhor, mas que, por educação, porque fomos ensinados a festejar a passagem de cada ano que passa, continuamos a celebrar a chegada do ano novo. E por fim, a última teoria. Todos sabemos que é tudo a mesma coisa. Que tal como o Pai Natal o ano novo não existe. Mas se oferecemos e recebemos presentes na Consoada, porque não podemos fingir que com o 2007 todos os nossos problemas acabaram? Seja como for, bom ano para todos e não se preocupem que 2009 será ainda melhor.


Publicada por Carlos Quevedo às 22:42
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