Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Ele há dias em que é difícil viver em Portugal. No fim do ano passado iniciou-se um programa de trocas de seringas nalguns estabelecimentos prisionais. Mal comparado era como distribuir preservativos num colégio interno de freiras. A luxúria pode estar proibida mas que as pupilas amanhecem grávidas, lá isso amanhecem. Mas esqueçam os preservativos e voltemos às seringas. Os prisioneiros não entraram no imprescindível programa de trocas. Não houve uma só seringa trocada. Felizmente nenhum membro do governo gritou vitória e declarou que tinham derrotado a droga nas prisões. Porque, não nos enganemos, não foi esse o caso. Acontece que havia rapazes que preferiam apanhar essas doenças que se apanham quando se partilham essas agulhas tais como gripe, anginas, pé de atleta e, julgo eu, talvez sida e hepatites A, B, C, D, e assim por diante até ao Z. Tudo era preferível a perder a confidencialidade. As trocas eram efectuadas nas celas que compartiam com colegas talvez menos tolerantes que diziam não à droga. Outra razão evocada era que aceitar uma seringa podia custar as saídas precárias. Para outros, suponho eu, a troca teria chegado tarde demais, e já tinham o compêndio completo das doenças infecciosas no corpo. Seja como for, o audacioso programa foi um fracasso. Para a história fica registado o exemplo de que nossos legisladores estão avançados para a época. Deviam aproveitar esse talento inato de fazer leis avançadas e ir para a Suécia ou para os Países Baixos. Aí sim, encontrariam nas prisões pessoas civilizadas e abertas que lhes dariam o reconhecimento devido. Portugal é muito pequenino para tanto talento legislativo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:50
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