Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Fui convidado como observador imparcial para a final da Taça de Portugal no Jamor. Fazia parte do convite um almoço informal, vulgo piquenique, na maltratada floresta que rodeia o histórico estádio. As pessoas que me rodearam na maior parte do tempo eram aquilo a que se chama lagartos, salpicados com dois ou três dragões. Todos muito bem-educados. É um facto que os momentos prévios ao jogo são muito civilizados e, em geral, o convívio é agradável e isento de agressividade. Mas à medida que a hora do jogo se aproxima, certo verniz começa a estalar. Nada de grave a não ser que a famosa festa do futebol acaba depois do almoço. Depois do jogo só metade está em festa o resto está à procura de transporte para se ir embora. Mais tarde, tive conhecimento de um estudo que afirma que oitenta por cento dos portugueses já chorou por causa do futebol. Os números dos chorosos não me surpreendem. Em termos nacionais, a Selecção já nos deu várias ocasiões para chorar. Em termos clubistas, todos eles algumas vezes nos deram razão para o pranto mais desesperado. Concordo que ultimamente os benfiquistas derramaram mais lágrimas do que os sportinguistas e portistas juntos, um número nada pequeno tendo em conta a quantidade de sócios que são os lampiões. Mas, historicamente, é inevitável que a ascensão e a queda sejam alterantes, mesmo que ninguém se resigne a isso e todos sonhem com a vitória infinita. A pergunta que se impõe é a seguinte: vale a pena chorar pelo nosso clube ou pela nossa selecção? Depois de muito reflectir, cheguei à conclusão de que sim. Não porque uma equipa de futebol, seja ela qual for, seja importante. Tampouco porque nela projectemos qualquer justificada frustração. Nem sequer porque tenhamos de nos lembrar que nada dura para sempre. Mas apenas pela simples razão de que quando perdem, nos tiram uma alegria. E perder uma alegria é mesmo triste. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:36
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